FONOAUDIOLOGIA E OUTROS SABERES: UMA EXPERIÊNCIA DE ATENDIMENTO CLÍNICO ENTRE DISCIPLINAS NO ESPAÇO INSTITUCIONAL
SPEECH PATHOLOGY AND OTHERS CLINICAL AREAS: AN EXPERIENCE AND DISCUSSION OF MULTI, INTER AND TRANSDISCIPLINARY CLINICAL CARE
Instituto de Estudos Avançados da Audição – IEAA
Monografia obrigatória do Curso de Especialização em Linguagem Autora: COSTA, Patricia de S. G.; Orientadora: DAVID, Rejane H. F.
RESUMO:
O presente artigo tem como objetivo refletir sobre as questões da clínica institucional, especificamente no que diz respeito aos efeitos da sobreposição de saberes das áreas da fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional e psicanálise e da especificidade de cada saber, a partir da experiência de atuação da equipe do Centro de Referência à Infância-INCERE, instituição clínica e de ensino. Serão abordados os conceitos de multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade e os efeitos de cada um para a prática clínica. Para isso, foram aplicados questionários com todos os membros da equipe do INCERE a fim de que refletissem sobre a forma de atuação dos vários saberes e práticas dentro da instituição, dando ênfase ao funcionamento dos dispositivos de atendimento grupal e às reuniões clínicas. Ao final do trabalho concluímos que o fazer clínico em equipe tem muito a ensinar a todas as disciplinas, pois um novo saber se constrói no fazer junto.
ABSTRACT:
The present article has the objective of reflecting about institutional clinical care, specifically regarding the effects of superposition of knowledge from the fields of speech pathology, psychology, occupational therapy and psychoanalysis on the Centro de Referência à Infância (INCERE – Childhood Reference Center). The INCERE is a clinical and teaching institution. We will approach the concepts of multi, inter and transdisciplinarity, as well as the effects of each of them to clinical practice. For this, we applied one questionnaire to all members of the clinical team. This questionnaire reflected about the way of performance of the several knowledge and practices inside the institution, by focusing on the clinical group in the approaches and meetings. We concluded that the clinical practice in a group has much to teach to all disciplines, it is possible to built a new and effective way to work when people do it together.
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- INTRODUÇÃO
O trabalho clínico institucional muito nos ensina sobre a importância de escutar e recorrer a outros saberes diante das inúmeras interrogações que a prática clínica nos impõe. Fazendo parte de uma equipe de profissionais de áreas distintas, que atua numa instituição clínica, como fonoaudióloga, passei a me interrogar sobre a minha atuação diante de várias situações que vivenciava na clínica. Ao participar de um atendimento em um grupo de crianças, em parceria com um psicólogo, me vi diante de uma questão: Qual seria o papel de um fonoaudiólogo naquele dispositivo grupal, onde o objetivo era o brincar compartilhado?
Ao reler os registros dos atendimentos do grupo pude constatar que a minha atuação nesse dispositivo clínico não se diferenciava da atuação da terapeuta ocupacional e dos psicólogos e psicanalistas. Todos os técnicos atuavam de forma semelhante nos atendimentos em grupo, embora com formações diferentes. Ficou claro que o dispositivo de grupo se tratava de um dispositivo psicanalítico e não fonoaudiológico, embora também fosse claro que ele propiciasse uma grande evolução na linguagem das crianças.
Diante disso, outras questões foram surgindo tais como: do que se trata o dispositivo de atendimento em grupo? Qual o objetivo desse tipo de atendimento? Nesse tipo de atendimento os papéis da fonoaudiologia e psicologia se somam ou se separam? Existe diferença entre a atuação da fonoaudióloga, da terapeuta ocupacional e dos psicólogos e psicanalistas nesse dispositivo?
Para além disso, passei a questionar como a equipe pensava e percebia as minhas atuações e as da terapeuta ocupacional nos atendimentos de grupo e nas reuniões clínicas, que eram os dois dispositivos por excelência do trabalho em equipe. Percebi que as minhas questões eram também institucionais e toda a equipe deveria refletir sobre o assunto.
O fato de fazer parte de uma equipe formada por psicólogos e psicanalistas dentro de uma instituição que tem um trabalho clínico com base psicanalítica causava uma sensação de deslumbramento com a psicanálise, mas também um afastamento e até desapropriação das teorias e técnicas específicas da fonoaudiologia. O que também ocorria com a terapeuta ocupacional da equipe.
Decidi realizar uma investigação sobre como os outros profissionais da equipe definiam o trabalho do INCERE: se multi, inter ou transdisciplinar e como
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entendiam as especificidades das atuações da fonoaudiologia e da terapia ocupacional. Mas a questão principal desse artigo diz respeito a inserção de profissionais de outras áreas em uma instituição que tem um trabalho clínico com base psicanalítica. Para os profissionais da equipe do INCERE, é clara a percepção da especificidade da atuação da fonoaudióloga nos dispositivos de grupo e nas reuniões clínicas institucionais?
Para responder isso, no decorrer do trabalho apresentarei a instituição INCERE onde a pesquisa se realizou, especificando com maior enfoque os posicionamentos básicos da clínica e os dispositivos de equipe: grupos e reuniões clínicas. Em seguida, será feita uma breve explanação dos conceitos de multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade, dando ênfase aos dois últimos. Como metodologia de pesquisa, optei pela investigação dentro da própria instituição por meio de questões aplicadas a todos os membros da equipe.
- O INCERE
O Centro de Referência à Infância (INCERE) é uma instituição sem fins lucrativos que foi fundada em 2000, tendo três eixos de atuação: clínica, ensino e pesquisa e assessoria. Sua equipe é composta de vários profissionais, contando atualmente com psicólogos, psicanalistas, fonoaudióloga e terapeuta ocupacional.1
Os profissionais da equipe são engajados nas atividades clínicas, gestão institucional e, ainda, na produção e transmissão de conhecimento embasado nas reflexões teóricas a partir da prática cotidiana.
A clínica se divide em dois eixos: o de consultório individual de cada terapeuta, que não demanda o acompanhamento dos casos pela equipe do INCERE; e o da clínica TAE – Terapia com Acompanhamento da Equipe, em que existe a necessidade de uma rede de sustentação do caso pela equipe de profissionais da instituição. Nesse caso, não necessariamente o paciente precisa ser atendido individualmente por mais de um profissional, mas é acompanhado por toda a equipe.
São encaminhados para a clínica TAE os casos em que, devido a complexidade da patologia e o nível de demanda do paciente e da família, é exigido do terapeuta o suporte de outros profissionais para a sustentação e condução do caso. Nesta clínica são comuns os casos com diagnósticos de psicose, transtornos
1 O Incere se localiza na cidade de Fortaleza, no estado do Ceará.
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invasivos do desenvolvimento e outras síndromes, além de casos em que percebemos grande desestruturação familiar, o que demanda maior cuidado por parte do terapeuta para com o paciente e sua família. Os casos de consultório individual são os que procuram atendimento por questões específicas de fala e motricidade oral na fonoaudiologia, de ação e funcionalidade na terapia ocupacional e de sofrimento psíquico na psicologia e psicanálise, mas que não requerem um suporte maior do terapeuta para com o paciente e seus pais.
Os dispositivos clínicos TAE oferecidos são: atendimentos individuais e em grupo para crianças, jovens e adultos, escutas de pais e grupos de pais. Além dos dispositivos clínicos, existe um espaço articulador destinado à clínica, que são as reuniões clínicas semanais com todos os membros da equipe e ainda as supervisões dos casos TAE que acontecem a cada três meses com a supervisora da instituição, que é psicanalista do Centro de Pesquisa em Psicanálise e Linguagem-CPPL, instituição clínica de Recife que presta serviço de assessoria e supervisão clínica ao INCERE desde 2000.
Os consultórios individuais não participam dos dispositivos clínicos e das reuniões clínicas descritas acima e cada terapeuta conduz seus atendimentos com supervisões individuais com um supervisor de sua escolha.
O atendimento clínico do INCERE segue alguns posicionamentos básicos: ∙ Crianças com diagnóstico de transtornos graves têm subjetividade e devem ser escutadas em sua singularidade.
∙ Devemos entender as dificuldades na construção da subjetividade sem cair na ideia de classificação, reabilitação ou normalização da vida.
∙ Nas mais diversas intervenções (fono, T.O. e psi), deve-se afastar de concepções reabilitadoras com adaptação a padrões normativos. ∙ Embora o atendimento precoce seja necessário, deve-se ter cuidado com a ideia de prevenção, enquanto veicula posições de ‘como deve ser’.
∙ Todos os atendimentos são perpassados por um eixo comum que é a psicanálise, nos quais a terapêutica se dá na conexão das
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diferentes práticas clínicas, de modo a não fragmentar o paciente e seu tratamento em especialidades separadas.2
2.1. Reuniões clínicas
É nesse espaço que são discutidas e definidas todas as conduções clínicas referentes aos casos acompanhados pela equipe. Todas as reuniões são registradas e os registros anexados aos prontuários dos pacientes e grupos acompanhados. Participam destas reuniões todos os membros da equipe além de todos os formandos que fazem parte do PPI.3
As reuniões têm três horas de duração e seguem uma sequência: iniciam pela apresentação das entrevistas iniciais de algum caso que esteja em avaliação e dão continuidade com a discussão dos casos já em acompanhamento com a equipe.
As entrevistas iniciais que são realizadas por algum técnico, e que este considere importante o acompanhamento do caso pela equipe, são levadas para a reunião. O caso é apresentado pelo profissional e todos os presentes fazem colocações e questionamentos. O encaminhamento do caso e as indicações terapêuticas são pensados por toda a equipe, a partir do que foi proposto pelo terapeuta que avaliou o paciente. Também é comum o paciente ser avaliado por mais de um profissional, já que se trata de uma equipe. Nesse caso, os profissionais apresentam juntos as respectivas entrevistas. Vale ressaltar que não há uma regra na conduta de recebimento dos pacientes. Eles podem iniciar as entrevistas com qualquer profissional da equipe, de acordo com a demanda de cada caso e de cada família. Muitas vezes, as famílias chegam para a fonoaudiologia pelo atraso de linguagem do filho, mas durante a avaliação percebe-se a necessidade de uma avaliação psicológica. Em alguns casos é possível fazer o encaminhamento já nas avaliações, mas em outros percebemos que esse encaminhamento precisa ser construído com os pais durante a terapia com a fonoaudióloga até que seja efetivado.
Cabe ressaltar aqui que a equipe não faz uso de um instrumento padrão de anamnese nas avaliações e as entrevistas são marcadas pelos próprios terapeutas
2 Todos os membros da equipe, inclusive a fonoaudióloga e a terapeuta ocupacional, estudam psicanálise e fazem formação em psicanálise.
3 PPI- Programa em Práticas Institucionais: Gestão e Clínica. Esse programa é oferecido pelo Incere e tem duração de três anos. Nele os participantes (estudantes e/ou profissionais) realizam atividades com a equipe, sob a supervisão desta, nas áreas de clínica, ensino e gestão. Após os três anos de programa, eles podem ou não integrar a equipe.
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que recebem a família. Inicialmente os pais são recebidos pelo terapeuta e só depois são marcadas as sessões com a criança. O número de sessões com os pais e a criança será definido de acordo com a demanda de cada caso.
As entrevistas são conduzidas de forma que os pais possam se colocar, no que diz respeito às dificuldades de seus filhos, e de como compreendem e lidam com tais dificuldades. Um ponto de grande importância e imprescindível de ser considerado nas entrevistas com os pais refere-se à gestação e aos cuidados maternos iniciais da vida do bebê. Além disso, cada profissional, de acordo com a sua especialidade, foca alguns aspectos que considere importante dentro da sua área de trabalho.
2.2. Atendimentos em grupo
Os atendimentos em grupo são compostos de crianças, adolescentes e jovens adultos (dependendo da faixa etária do grupo), de uma dupla terapêutica, além de um coterapeuta e um observador4. Os grupos acontecem em uma sala diferenciada, com brinquedos e jogos específicos para aquele dispositivo. Eles acontecem semanalmente e têm uma hora de duração com uma reunião pós-grupo para a discussão do atendimento daquele dia e para a leitura do registro feito pelo observador.
Na maior parte dos grupos a dupla terapêutica é formada por terapeutas de áreas diferentes, mas o foco do grupo é na constituição subjetiva dos pacientes, não havendo um grupo com foco na atuação da fonoaudiologia ou da terapia ocupacional de forma específica. O dispositivo do grupo se define dessa forma, como um dispositivo psicanalítico.
O trabalho em grupo realizado no INCERE tem como referência o trabalho de grupo desenvolvido pelo CPPL (Centro de pesquisa em psicanálise e linguagem), instituição clínica de Recife, que tem como foco “o espaço entre, espaço construído e sustentado pelo agir em conjunto, pelo fazer compartilhado daqueles que compõem o grupo: psicanalistas e crianças.” (Cavalcanti, 2006. P.135)
4 O Coterapêuta e o Observador são estudantes ou profissionais que participam do PPI- Programa em Práticas Institucionais: Gestão e Clínica. No grupo as funções do co-terapeuta e do observador se distinguem pelo fato do primeiro participar das brincadeiras e das decisões do grupo, enquanto o segundo está presente realizando o registro escrito da sessão, mas não fala nem participa das atividades e decisões do grupo.
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Cavalcanti (2006) nos mostra que o trabalho em grupo se constitui a partir da referência psicanalítica a teoria de Winnicott, de onde se toma como ponto de partida o fato de que
o acontecer psíquico, ou o sentimento de existência do bebê, é o efeito de
uma ação em parceria com um outro que se disponibiliza, por uma fina
identificação, a acolher seu gesto espontâneo sem exigência, possibilitando
a criação conjunta de algo inédito e singular. O cenário dessa ação conjunta
é o espaço transicional, construído e sustentado pela superposição do brincar
de seus atores. O indivíduo vai sendo, agindo/brincando junto com um outro
num espaço (Cavalcanti, 2006, p.136).
Winnicott (1975) nos descreve o espaço transicional como:
uma área que não se encontra dentro do indivíduo, nem fora, no mundo da
realidade compartilhada. Pode-se pensar nesse viver intermediário como
ocupando um espaço potencial. Esse espaço potencial é extremamente
variável de indivíduo para indivíduo e seu fundamento está na confiança que a mãe inspira ao bebê, confiança experimentada por um período
suficientemente longo, no estádio decisivo da separação entre o não-eu e o eu, quando o estabelecimento de um eu (self) autônomo se encontra no
estádio inicial (p. 152)
Sua teoria parte da relação de confiança, ou não, entre uma mãe (ou quem exerce a função materna) e seu bebê. Num primeiro momento de um estado de fundição entre a mãe e seu bebê, ela identifica-se e adapta-se às necessidades de seu filho, o que contribui para que ele se desenvolva em seu caráter e personalidade a partir de uma relação de confiança. E é a partir dessa relação de confiança materna, que ela poderá diminuir as adaptações às necessidades de seu bebê, permitindo que o sentimento de confiança se estenda às outras pessoas e coisas, facilitando o processo de separação entre ela e seu filho.
Ao mesmo tempo, contudo, pode-se dizer que a separação é evitada pelo preenchimento do espaço potencial com o brincar criativo, com o uso de
símbolos e com tudo que acaba por se somar a uma vida cultural (Winnicott,
1975, p.151).
Em alguns casos, a relação de confiança pode não acontecer de forma satisfatória entre o bebê e sua mãe, o que dificultará a separação mãe-bebê e a construção de um espaço potencial que seja preenchido com o brincar criativo e com experiências ricas de vida cultural.
O espaço transicional criado no grupo permite aos participantes, a partir de uma relação de confiabilidade naquele ambiente (setting de grupo), que inclui o espaço físico protegido, os terapeutas, o co-terapeuta e observador e as outras crianças, experimentarem situações múltiplas, a partir de reinvenções e recriações no agir em conjunto e através do brincar. Essa ação conjunta interferirá na posição
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subjetiva e discursiva das crianças que fazem parte do grupo, de forma que, ao preencherem o espaço potencial com o brincar criativo, se sintam mais seguras com relação aos outros e a cultura. Isso faz com que se experimentem de forma mais relaxada no que diz respeito à linguagem e ao social. Uma experiência assim foi vivenciada, por exemplo, em um grupo em que uma criança com distrofia muscular e que necessitava sempre da cadeira de rodas, experimentou ser um monstro que rastejava pelo chão para pegar os outros.
- MULTIDISCIPLINAR, INTERDISCIPLINAR OU TRANSDISCIPLINAR
O INCERE em sua definição sempre se denomina interdisciplinar, mas há alguns anos vêm se questionando se o termo interdisciplinar comporta o trabalho realizado pela instituição. Tal fato se dá pela reflexão acerca da condução do trabalho clínico realizado por cada um dos técnicos da equipe nos dispositivos de atendimento individual e de grupo.
Ao longo do tempo, cada técnico dentro da sua especificidade se via atuando de forma diferenciada do que era sua área de atuação. Eram comuns as discussões a respeito dos psicólogos e psicanalistas que faziam atendimentos externos com seus pacientes, assim como da fonoaudióloga e da terapeuta ocupacional que tinham que dar conta de questões transferenciais que só apareciam no seu setting, mesmo que a criança estivesse em atendimento psicológico. Muitas foram as discussões sobre os encaminhamentos a serem dados para cada uma dessas questões: Se os atendimentos são externos isso é psicanálise? Enquanto fonoaudióloga, como dar conta de outras demandas dos pacientes como limpar o cocô e o xixi presentes em todas as sessões? Como pensar os atendimentos em grupo conduzidos pela fonoaudióloga e terapeuta ocupacional, realizados na praia ou num show de rock?
A partir desses questionamentos, foi ficando claro para a equipe que as fronteiras entre as disciplinas estavam esfumaçadas e o termo interdisciplinar teria que ser repensado.
Se partirmos dos conceitos de multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade apresentados por Japiassu no texto de Iribarry (2003), teremos as seguintes definições:
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∙ MULTIDISCIPLINARIDADE: Uma gama de disciplinas propostas simultaneamente, mas sem fazer aparecer diretamente as relações que podem existir entre elas. É um tipo de sistema de um só nível e de objetivos múltiplos; não há nenhuma cooperação entre as disciplinas (Japiassu, 1976). Pode-se pensar no seguinte exemplo: em um hospital, vários profissionais estão reunidos, mas trabalham isoladamente. O fato é que os profissionais, nesse caso, estão inseridos em um esquema automático, o qual não gera espaço para uma articulação como em outras modalidades da disciplinaridade (Iribarry, 2002).
∙ INTERDISCIPLINARIDADE: Um grupo de disciplinas conexas e definidas em um nível hierárquico imediatamente superior, o que introduz a noção de finalidade. É um tipo de sistema de dois níveis e de objetivos múltiplos com a coordenação procedendo de nível superior (Japiassu, 1976). Pode-se pensar no exemplo de uma equipe para atendimento ambulatorial de gestantes adolescentes de baixa renda. A equipe é formada por um médico pediatra, um médico psiquiatra, um psicólogo, um assistente social, uma psicopedagoga, uma enfermeira e uma secretária. Todavia, o que prevalece é o saber médico, cabendo a coordenação e a tomada de decisão aos profissionais da área médica, que dirigem e orientam a equipe em seu trabalho (Iribarry, 2002).
∙ TRANSDISCIPLINARIDADE: Na transdisciplinaridade, a descrição geral envolve uma coordenação de todas as disciplinas e interdisciplinas em um sistema de ensino inovado, sobre a base de uma axiomática geral. É um tipo de sistema de níveis e objetivos múltiplos. A coordenação propõe uma finalidade comum dos sistemas (Japiassu, 1976). A transdisciplinaridade, de acordo com Caon (1998), é um desafio colocado pelo interesse de uma equipe de profissionais que estão reunidos pela metáfora proposta por uma situação de transdisciplinaridade, na qual cada pesquisador problematiza os conceitos de diferentes campos. Cada um entra na disciplina do colega e olha pela luneta do outro pesquisador, interrogando os dispositivos práticos e teóricos utilizados pelo pesquisador anfitrião e com os quais ele vê aquilo que diz ver. Em transdisciplinaridade, os dispositivos utilizados para equacionar o problema são mais importantes do que a solução do mesmo (Caon, 1998). Pode-se tomar como exemplo a equipe que recebe pacientes com problemas mentais. Esta equipe, muito provavelmente, reunirá profissionais como psicólogos, psiquiatras, enfermeiros, assistentes sociais, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, neurologistas, clínicos gerais, etc. Quando o paciente chega para uma avaliação todos
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irão assisti-lo e buscarão formular um diagnóstico acerca do caso. Para que esse diagnóstico seja dado em situação de transdisciplinaridade não basta apenas que cada profissional opine a partir de sua área e, finalmente, um tratamento seja indicado. Para que a configuração transdisciplinar seja alcançada é preciso que esses profissionais, fundamentalmente, estejam reciprocamente situados em sua área de origem e na área de cada um dos colegas (Iribarry, 2002).
Passos e Barros (2000) acrescentam que tanto na multidisciplinaridade como na interdisciplinaridade permanece a manutenção das fronteiras disciplinares, dos objetos e sujeitos dos saberes, perdurando os especialismos.
Mendes (2008) nos fala do equívoco de se manter a discussão sobre o assunto focando o conceito de prática interdisciplinar ao simples evento de vários profissionais estarem ao lado uns dos outros. Para a autora, tudo tem relação com a incapacidade que temos para ir além dos nossos próprios princípios discursivos, as fundamentações teóricas e os modos de funcionamento em que fomos formados e educados. Pontua o caráter processual em que os profissionais devem buscar a superação da fragmentação do saber e ressalta que o princípio da distinção se caracteriza pela intensidade de troca entre diferentes profissionais e pelo grau de integração real das disciplinas no interior de uma equipe.
Iribarry (2003), ao falar do conceito de transdisciplinaridade, salienta que este nível não se trata de um estilo de interação superior em relação aos demais níveis. Trata-se, pura e simplesmente, de um nível a ser buscado pelos benefícios que traz em sua gestão, mas que preserva as outras modalidades de níveis de funcionamento. Estas modalidades são naturais e fazem parte do funcionamento de qualquer grupo ou equipe que está reunido para desenvolver algum trabalho. Para o autor, uma equipe será transdisciplinar quando sua reunião congregar diversas especialidades com o espírito de cooperação, sem que uma coordenação se estabeleça a partir de um lugar fixo. A transdisciplinaridade deve ser encarada como meta a ser alcançada e não como algo pronto e um modelo aplicável.
Passos e Barros (2000) discutem a respeito de como ficam as relações entre as disciplinas no trabalho com a transdisciplinaridade. Cada disciplina deixa-se afetar por outra, potencializando-se. Na transdisciplinaridade não se abandona o movimento criador de cada disciplina, mas fabrica-se intercessores, agencia-se, interfere-se. Para os autores, trata-se “nesta perspectiva transdisciplinar, de
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nomadizar as fronteiras, torná-las instáveis. Caotizar os campos, desestabilizando-os ao ponto de fazer deles planos de criação de outros objetossujeitos…” (p.77).
- METODOLOGIA
Para o desenvolvimento do presente artigo foram aplicados questionários com todos os membros da equipe da instituição, inclusive comigo, mas o meu questionário não foi incluído na tabulação e sim como hipótese teórica.
Os questionários foram aplicados por mim numa reunião da equipe, e todos os membros responderam ao mesmo tempo, antes de iniciar uma discussão sobre o tema em questão: o INCERE é uma instituição que tem um trabalho multidisciplinar, interdisciplinar ou transdisciplinar? As respostas eram individuais e por escrito. A única instrução dada foi que os técnicos não falassem nada a respeito do assunto durante a aplicação do questionário.
O questionário foi composto de dez questões (anexo 1), sendo cinco abertas e cinco fechadas. Além disso, as questões partem inicialmente dos conceitos de multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade propostos por Japiassu (1976), presentes no texto de Iribarry (2003). A escolha por Japiassu deve
se ao fato do autor servir como referência básica para grande parte dos estudos e artigos sobre o assunto realizados no Brasil.
Além das questões abertas sobre como cada técnico define o INCERE, incluímos questões sobre como cada um via a especificidade do trabalho da fonoaudióloga e da terapeuta ocupacional. Optamos por não incluir os psicólogos e psicanalistas nas questões, já que o objetivo da pesquisa era analisar a inserção de outras áreas (Fonoaudiologia e Terapia ocupacional) dentro de uma instituição com base psicanalítica.
- RESULTADOS E DISCUSSÃO
A partir da análise das respostas dos questionários optamos em apresentá la dividindo em três tópicos: A definição do trabalho do Incere; A atuação da terapeuta ocupacional na instituição; e A atuação da fonoaudióloga na instituição.
O primeiro tópico contempla as questões iniciais do questionário: “Como você define o Incere?” e “Como você concebe o trabalho de equipe do Incere: multidisciplinar, interdisciplinar ou transdisciplinar?”. O segundo e o terceiro tópico
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abordam as demais questões do questionário sobre como a equipe concebe e percebe a atuação da terapeuta ocupacional e da fonoaudióloga respectivamente, nos atendimentos em grupo e nas reuniões clínicas.
5.1. Definição do trabalho do Incere
Ao definirem o que é o Incere, a maior parte da equipe acordou que se trata de uma instituição clínica, composta por uma equipe interdisciplinar, preocupada com o sofrimento psíquico, que atua também na produção e transmissão do saber clínico. Uma pessoa disse se tratar de uma instituição psicanalítica e outra disse se tratar de um trabalho clínico orientado pela psicanálise. Apenas dois membros da equipe citaram a área da gestão.
Questionados sobre o trabalho de equipe do Incere, quatro membros concordaram com as definições de interdisciplinaridade, multidisciplinaridade e transdisciplinaridade propostas por Japiassu e três não concordam com as definições, alegando que sob seu ponto de vista não há a hierarquia de saberes na interdisciplinaridade, como propõe o autor.
Outro ponto levantado pela equipe diz respeito a relação entre as disciplinas no espaço institucional. Para três membros o trabalho seria transdisciplinar, enquanto que dois consideram o trabalho “entre” o inter e o transdisciplinar, já que existe um atravessamento das especificidades de cada área. Outros dois membros acreditam que o trabalho é ao mesmo tempo, inter e transdisciplinar, por se tratar de um trabalho em que existe uma disciplina de conexão entre todas as outras, mas também um saber compartilhado das especificidades. “Às vezes, o que é específico de uma disciplina se dilui entre os diversos terapeutas”. Apenas uma pessoa pontua que se trata de um trabalho interdisciplinar, mas alegando que o conceito de interdisciplinar se difere do proposto. Para tal pessoa, interdisciplinaridade significa “aquilo que faz interface, criando espaços do “ENTRE”, em que, por vezes, uma intervenção não é uma coisa, nem outra. Mas sim, algo criado pela junção de saberes”.
O que podemos perceber na análise dos questionários e confirmar com a prática clínica do dia a dia é que as fronteiras entre as disciplinas ficam esfumaçadas nesse trabalho em equipe. Não há como não ser afetado pelo saber do outro, nem como deixar de compartilhar o nosso saber. Dessa forma, acreditamos que o trabalho
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clínico da equipe do Incere não se encaixa na definição de multidisciplinaridade por não se tratar de um trabalho isolado de cada área.
Fica claro também que a definição de interdisciplinaridade proposta por Japiassu não se encaixa nas colocações dos membros da equipe, já que tal definição propõe uma hierarquia e/ou coordenação de uma disciplina sobre as demais.
O conceito de transdisciplinaridade parece ser o que mais se aproxima do pensamento da equipe, já que a maior parte dos profissionais identifica o trabalho do Incere como um trabalho transdisciplinar, no sentido em que cada profissional está situado em sua área de origem, mas também na área de cada um dos colegas de equipe, segundo nos coloca Iribarry (2002). Além disso, o que se produz enquanto saberes e práticas clínicas são frutos desse espaço “entre” todas as disciplinas. Todos os membros da equipe reconhecem a potencia criadora desses espaços fronteiriços entre duas ou mais disciplinas e se deixam afetar por elas.
Sobre o lugar ocupado pela psicanálise na instituição, é interessante observar que apenas dois membros da equipe a citaram na definição da questão 1. Mesmo assim ela se faz presente nas respostas das demais questões aparecendo como uma disciplina que faz a conexão entre todas as outras, ampliando o olhar clínico dos profissionais para além da sua especificidade. Para um membro da equipe existe uma hierarquia, onde a psicanálise ocupa um lugar diferenciado dos outros saberes no que diz respeito a compreensão de sujeito e suas formas de se constituir. Outro profissional pontua que a psicanálise ocuparia um lugar de “coordenadora” das demais disciplinas.
A partir do que foi exposto acima podemos pensar que o trabalho em equipe proposto pelo Incere não reconhece uma hierarquia de saberes, mas sim uma conexão entre os saberes, que no caso é representada pela psicanálise, enquanto saber que reconhece a subjetividade e a singularidade de cada pessoa.
5.2. A atuação da Terapia Ocupacional na instituição
Todos os membros situaram ser específico da atuação da terapeuta ocupacional “por o sujeito em movimento”, “agir no mundo naquilo em que se encontra impedido”, “utilizando a atividade como mediadora do trabalho”. Além disso, relacionam o trabalho da T.O. com a noção de corporeidade, motricidade,
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temporalidade, adaptação, AVDs (atividades da vida diária) e AVPs (atividades da vida prática).
Com relação a percepção da atuação específica da T.O. nas reuniões clínicas apenas uma pessoa disse não perceber essa especificidade. Já sobre a atuação nos atendimentos em grupo apenas quatro membros disseram perceber essa especificidade.5
5.3. A atuação da Fonoaudiologia na instituição
Todos os membros colocaram ser específico da atuação da fonoaudiologia o trabalho e o cuidado com questões que envolvem a linguagem, a fala, a articulação, a voz, a mastigação e o aparelho fonador. Apenas um profissional identificou as questões de leitura e escrita como específicas da fonoaudiologia.
Todos os membros disseram perceber a atuação específica da fonoaudióloga nas reuniões clínicas. Já na atuação dos atendimentos em grupo, apenas uma pessoa disse reconhecer, em raras ocasiões, a atuação específica da fonoaudiologia nesse dispositivo clínico.
A partir das respostas acima descritas podemos inferir que elas reafirmam as fronteiras esfumaçadas entre as disciplinas existentes na instituição e a grande influência da psicanálise no trabalho clínico institucional e no percurso individual de cada terapeuta, afetando seu olhar e ação terapêutica.
Podemos pensar também que o dispositivo clínico grupal é um local onde a “mistura” de saberes se dá de forma efetiva, já que nesse dispositivo a dupla terapêutica tem que estar muito afinada com a mesma finalidade de sustentar um elo de ligação entre os participantes a partir do brincar compartilhado. Não se trata então, de se ter um olhar sobre cada especificidade, embora reconhecendo que ela aparece quando se faz necessário.
- CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao longo do trabalho compreendemos que, na abordagem multidisciplinar, a junção dos saberes é suficiente para dar conta, de forma totalizante e harmônica, de cada caso clínico. Mas então podemos propor uma questão: Será que a crença de que o trabalho em equipe nessa ótica, onde não se leva em conta os processos de
5 O questionário respondido pela T.O. não entrou nos dados acima descritos.
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hierarquização de saberes, não faz com que haja um fechamento de cada saber em si mesmo?
Pensamos então no conceito de interdisciplinaridade, bastante difundido nos dias atuais. Nos parece claro que a maior parte das equipes na área da saúde atuam dentro dessa abordagem, onde principalmente o saber médico prevalece diante dos outros. Entendemos que, dentro dessa ótica, só os saberes de uns são questionados e os de outros não. O que também acaba por contribuir em um fechamento de cada disciplina. Quando vemos um movimento de procura cada vez maior, por parte dos profissionais, em se tornarem especialistas, nos perguntamos se não é demonstrativo de um saber cada vez mais fechado em si mesmo. Será que ao nos especializarmos tanto, não estamos submetendo nossos pacientes a um tratamento fragmentado? Até que ponto isso contribui para um trabalho em equipe, onde temos um paciente único a atender?
Na realidade, será que os profissionais que se dizem integrantes de uma equipe interdisciplinar, renunciaram a sua formação multidisciplinar prévia e abriram mão de seu narcisismo em função de um reconhecimento da necessidade do saber do outro?
Diante do reconhecimento de que um saber necessita de outros saberes, conclui-se que o processo que ocorre dentro da abordagem transdisciplinar deve ser de abertura para o novo e não de um fechamento em si mesmo. Mas isso requer, por parte do profissional, o reconhecimento de um saber não totalizante. E implica estar sempre disposto a questionar o que está posto e aberto às novas possibilidades diante da clínica que se apresenta.
Acredito que experiências clínicas como esta são de grande valia para a fonoaudiologia institucional, já que a atuação fonoaudiológica ainda se mostra muito focada em sua especificidade. Proponho uma questão: Será que a fonoaudiologia se deixa afetar por saberes outros, que não aqueles que a colocam num lugar seguro e identitário?
Concluímos que a experiência clínica do Incere nos coloca em um lugar de construção constante do fazer clínico em parceria com outros saberes e que a estabilidade de cada saber é posta em questão. Entendemos que numa clínica como esta os saberes são construídos a cada dia, não na unidade de cada saber, mas no que existe no espaço entre eles.
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Somos afetados em nossas identidades e especificidades e levados a conviver com a instabilidade e movimento constante que esta clínica nos impõe, aprendendo a tirar proveito dessa experiência e nos enriquecermos como pessoas e terapeutas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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JAPIASSU, H. Interdisciplinaridade e patologia do saber. Rio de Janeiro: Imago, 1976.
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PASSOS, E.; BARROS, R. A construção do plano da clínica e o conceito de transdisciplinaridade. In: Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 16, n. 1, p.71-79, 2000. Disponível em http://www.slab.uff.br/exibetexto2.php?link=.%2Ftextos%2Ftexto1.htm&codtexto=1&
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PINHO, G. S. A Psicanálise e a clínica interdisciplinar com crianças. In: Caderno da APPOA, Porto Alegre, n. 120, dez. 2003.
PINTO, J. C. S. G. Integralidade, Clínica Ampliada e Transdisciplinaridade: conceitos para a potencialização das práticas em saúde mental. Dissertação de mestrado em Psicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal Fluminense. Niteroi, 2007.
WINNICOTT, D. W. O Brincar e a Realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.
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ANEXOS
QUESTIONÁRIO PARA ARTIGO DE ESPECIALIZAÇÃO EM LINGUAGEM
- QUAL A SUA PROFISSÃO?
___________________________________________
- COMO VOCÊ DEFINE O INCERE?
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- DE ACORDO COM IRIBARRY (2003) DEFINE-SE :
MULTIDISCIPLINARIDADE COMO: Uma gama de disciplinas propostas simultaneamente, mas sem fazer aparecer diretamente as relações que podem existir entre elas. É um tipo de sistema de um só nível e de objetivos múltiplos; não há nenhuma cooperação entre as disciplinas (Japiassu, 1976). Pode-se pensar no seguinte exemplo: em um hospital, vários profissionais estão reunidos, mas trabalham isoladamente. O fato é que os profissionais, nesse caso, estão inseridos em um esquema automático, o qual não gera espaço para uma articulação como em outras modalidades da disciplinaridade (Iribarry, 2002).
INTERDISCIPLINARIDADE COMO: Um grupo de disciplinas conexas e definidas em um nível hierárquico imediatamente superior, o que introduz a noção de finalidade. É um tipo de sistema de dois níveis e de objetivos múltiplos com a coordenação procedendo de nível superior (Japiassu, 1976). Pode-se pensar no exemplo de uma equipe para atendimento ambulatorial de gestantes adolescentes de baixa renda. A equipe é formada por um médico pediatra, um médico psiquiatra, um psicólogo, um assistente social, uma psicopedagoga, uma enfermeira e uma secretária. Todavia, o que prevalece é o saber médico, cabendo a coordenação e a tomada de decisão aos profissionais da área médica, que dirigem e orientam a equipe em seu trabalho(Iribarry, 2002).
TRANSDISCIPLINARIDADE COMO: Na transdisciplinaridade, a descrição geral envolve uma coordenação de todas as disciplinas e interdisciplinas em um sistema de ensino inovado, sobre a base de uma axiomática geral. É um tipo de sistema de níveis e objetivos múltiplos. A coordenação propõe uma finalidade comum dos sistemas (Japiassu, 1976). A transdisciplinaridade, de acordo com Caon (1998), é um desafio colocado pelo interesse de uma equipe de profissionais que estão reunidos pela metáfora proposta por uma situação de transdisciplinaridade, na qual cada pesquisador problematiza os conceitos de diferentes campos. Cada um entra na disciplina do colega e olha pela luneta do outro pesquisador, interrogando os dispositivos práticos e teóricos utilizados pelo pesquisador anfitrião e com os quais
ele vê aquilo que diz ver. Em transdisciplinaridade, os dispositivos utilizados para equacionar o problema são mais importantes do que a solução do mesmo (Caon, 1998). Pode-se tomar como exemplo a equipe que recebe pacientes com problemas mentais. Esta equipe, muito provavelmente, reunirá profissionais como psicólogos, psiquiatras, enfermeiros, assistentes sociais, fonaudiólogos, fisioterapeutas,
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neurologistas, clínicos gerais, etc. Quando o paciente chega para uma avaliação todos irão assisti-lo e buscarão formular um diagnóstico acerca do caso. Para que esse diagnóstico seja dado em situação de transdisciplinaridade não basta apenas que cada profissional opine a partir de sua área e, finalmente, um tratamento seja indicado. Para que a configuração transdisciplinar seja alcançada é preciso que esses profissionais, fundamentalmente, estejam reciprocamente situados em sua área de origem e na área de cada um dos colegas (Iribarry, 2002).
VOCÊ CONCORDA COM TAIS DEFINIÇÕES?
SIM ( ) NÃO ( )
- SE SIM, COMO VC CONCEBE O TRABALHO EM EQUIPE DO INCERE: MULTIDISCIPLINAR, INTERDISCIPLINAR , TRANSDISCIPLINAR ? SE NÃO, QUAL A SUA DEFINIÇÃO PARA O TRABALHO EM EQUIPE DO INCERE? EXPLIQUE.
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- O QUE VOCÊ CONSIDERA SER ESPECÍFICO DA ATUAÇÃO DA FONOAUDIOLOGIA?
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- O QUE VOCÊ CONSIDERA SER ESPECÍFICO DA ATUAÇÃO DA TERAPIA OCUPACIONAL?
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- É POSSÍVEL VER A ESPECIFICIDADE DA ATUAÇÃO DA FONOAUDIOLOGIA NO INCERE NOS ATENDIMENTOS EM GRUPO?
SIM ( ) NÃO ( )
- É POSSÍVEL VER A ESPECIFICIDADE DA ATUAÇÃO DA FONOAUDIOLOGIA NO INCERE NAS REUNIÕES CLÍNICAS?
SIM ( ) NÃO ( )
- É POSSÍVEL VER A ESPECIFICIDADE DA ATUAÇÃO DA TERAPIA OCUPACIONAL NO INCERE NOS ATENDIMENTOS EM GRUPO? SIM ( ) NÃO ( )
- É POSSÍVEL VER A ESPECIFICIDADE NA ATUAÇÃO DA TERAPIA OCUPACIONAL NO INCERE NAS REUNIÕES CLÍNICAS?
SIM ( ) NÃO ( )
Fortaleza, ______ de ________________ __ de 2013.

