FONOAUDIOLOGIA E OUTROS SABERES: UMA EXPERIÊNCIA DE ATENDIMENTO CLÍNICO ENTRE DISCIPLINAS NO ESPAÇO INSTITUCIONAL

FONOAUDIOLOGIA E OUTROS SABERES: UMA EXPERIÊNCIA DE  ATENDIMENTO CLÍNICO ENTRE DISCIPLINAS NO ESPAÇO  INSTITUCIONAL 

SPEECH PATHOLOGY AND OTHERS CLINICAL AREAS: AN EXPERIENCE AND  DISCUSSION OF MULTI, INTER AND TRANSDISCIPLINARY CLINICAL CARE  

Instituto de Estudos Avançados da Audição – IEAA 

Monografia obrigatória do Curso de Especialização em Linguagem Autora: COSTA, Patricia de S. G.; Orientadora: DAVID, Rejane H. F. 

RESUMO:  

O presente artigo tem como objetivo refletir sobre as questões da clínica institucional,  especificamente no que diz respeito aos efeitos da sobreposição de saberes das áreas da fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional e psicanálise e da especificidade  de cada saber, a partir da experiência de atuação da equipe do Centro de Referência  à Infância-INCERE, instituição clínica e de ensino. Serão abordados os conceitos de  multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade e os efeitos de cada  um para a prática clínica. Para isso, foram aplicados questionários com todos os  membros da equipe do INCERE a fim de que refletissem sobre a forma de atuação  dos vários saberes e práticas dentro da instituição, dando ênfase ao funcionamento  dos dispositivos de atendimento grupal e às reuniões clínicas. Ao final do trabalho  concluímos que o fazer clínico em equipe tem muito a ensinar a todas as disciplinas,  pois um novo saber se constrói no fazer junto. 

ABSTRACT:  

The present article has the objective of reflecting about institutional clinical care,  specifically regarding the effects of superposition of knowledge from the fields of  speech pathology, psychology, occupational therapy and psychoanalysis on the  Centro de Referência à Infância (INCERE – Childhood Reference Center). The  INCERE is a clinical and teaching institution. We will approach the concepts of multi,  inter and transdisciplinarity, as well as the effects of each of them to clinical practice.  For this, we applied one questionnaire to all members of the clinical team. This  questionnaire reflected about the way of performance of the several knowledge and  practices inside the institution, by focusing on the clinical group in the approaches and  meetings. We concluded that the clinical practice in a group has much to teach to all  disciplines, it is possible to built a new and effective way to work when people do it  together.

  1. INTRODUÇÃO  

O trabalho clínico institucional muito nos ensina sobre a importância de  escutar e recorrer a outros saberes diante das inúmeras interrogações que a prática  clínica nos impõe. Fazendo parte de uma equipe de profissionais de áreas distintas,  que atua numa instituição clínica, como fonoaudióloga, passei a me interrogar sobre  a minha atuação diante de várias situações que vivenciava na clínica. Ao participar de  um atendimento em um grupo de crianças, em parceria com um psicólogo, me vi  diante de uma questão: Qual seria o papel de um fonoaudiólogo naquele dispositivo  grupal, onde o objetivo era o brincar compartilhado? 

Ao reler os registros dos atendimentos do grupo pude constatar que a  minha atuação nesse dispositivo clínico não se diferenciava da atuação da terapeuta  ocupacional e dos psicólogos e psicanalistas. Todos os técnicos atuavam de forma  semelhante nos atendimentos em grupo, embora com formações diferentes. Ficou  claro que o dispositivo de grupo se tratava de um dispositivo psicanalítico e não  fonoaudiológico, embora também fosse claro que ele propiciasse uma grande  evolução na linguagem das crianças.  

Diante disso, outras questões foram surgindo tais como: do que se trata o  dispositivo de atendimento em grupo? Qual o objetivo desse tipo de atendimento?  Nesse tipo de atendimento os papéis da fonoaudiologia e psicologia se somam ou se  separam? Existe diferença entre a atuação da fonoaudióloga, da terapeuta  ocupacional e dos psicólogos e psicanalistas nesse dispositivo?  

Para além disso, passei a questionar como a equipe pensava e percebia  as minhas atuações e as da terapeuta ocupacional nos atendimentos de grupo e nas  reuniões clínicas, que eram os dois dispositivos por excelência do trabalho em equipe.  Percebi que as minhas questões eram também institucionais e toda a equipe deveria  refletir sobre o assunto.  

O fato de fazer parte de uma equipe formada por psicólogos e psicanalistas  dentro de uma instituição que tem um trabalho clínico com base psicanalítica causava  uma sensação de deslumbramento com a psicanálise, mas também um afastamento  e até desapropriação das teorias e técnicas específicas da fonoaudiologia. O que  também ocorria com a terapeuta ocupacional da equipe. 

Decidi realizar uma investigação sobre como os outros profissionais da  equipe definiam o trabalho do INCERE: se multi, inter ou transdisciplinar e como 

entendiam as especificidades das atuações da fonoaudiologia e da terapia  ocupacional. Mas a questão principal desse artigo diz respeito a inserção de  profissionais de outras áreas em uma instituição que tem um trabalho clínico com base  psicanalítica. Para os profissionais da equipe do INCERE, é clara a percepção da  especificidade da atuação da fonoaudióloga nos dispositivos de grupo e nas reuniões  clínicas institucionais? 

Para responder isso, no decorrer do trabalho apresentarei a instituição  INCERE onde a pesquisa se realizou, especificando com maior enfoque os  posicionamentos básicos da clínica e os dispositivos de equipe: grupos e reuniões  clínicas. Em seguida, será feita uma breve explanação dos conceitos de  multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade, dando ênfase aos  dois últimos. Como metodologia de pesquisa, optei pela investigação dentro da própria  instituição por meio de questões aplicadas a todos os membros da equipe. 

  1. O INCERE 

O Centro de Referência à Infância (INCERE) é uma instituição sem fins  lucrativos que foi fundada em 2000, tendo três eixos de atuação: clínica, ensino e  pesquisa e assessoria. Sua equipe é composta de vários profissionais, contando  atualmente com psicólogos, psicanalistas, fonoaudióloga e terapeuta ocupacional.1 

Os profissionais da equipe são engajados nas atividades clínicas, gestão  institucional e, ainda, na produção e transmissão de conhecimento embasado nas  reflexões teóricas a partir da prática cotidiana.  

A clínica se divide em dois eixos: o de consultório individual de cada  terapeuta, que não demanda o acompanhamento dos casos pela equipe do INCERE;  e o da clínica TAE – Terapia com Acompanhamento da Equipe, em que existe a  necessidade de uma rede de sustentação do caso pela equipe de profissionais da  instituição. Nesse caso, não necessariamente o paciente precisa ser atendido  individualmente por mais de um profissional, mas é acompanhado por toda a equipe.  

São encaminhados para a clínica TAE os casos em que, devido a  complexidade da patologia e o nível de demanda do paciente e da família, é exigido  do terapeuta o suporte de outros profissionais para a sustentação e condução do caso.  Nesta clínica são comuns os casos com diagnósticos de psicose, transtornos  

  

1 O Incere se localiza na cidade de Fortaleza, no estado do Ceará.

invasivos do desenvolvimento e outras síndromes, além de casos em que percebemos  grande desestruturação familiar, o que demanda maior cuidado por parte do terapeuta  para com o paciente e sua família. Os casos de consultório individual são os que  procuram atendimento por questões específicas de fala e motricidade oral na  fonoaudiologia, de ação e funcionalidade na terapia ocupacional e de sofrimento  psíquico na psicologia e psicanálise, mas que não requerem um suporte maior do  terapeuta para com o paciente e seus pais. 

Os dispositivos clínicos TAE oferecidos são: atendimentos individuais e em  grupo para crianças, jovens e adultos, escutas de pais e grupos de pais. Além dos  dispositivos clínicos, existe um espaço articulador destinado à clínica, que são as  reuniões clínicas semanais com todos os membros da equipe e ainda as supervisões  dos casos TAE que acontecem a cada três meses com a supervisora da instituição,  que é psicanalista do Centro de Pesquisa em Psicanálise e Linguagem-CPPL,  instituição clínica de Recife que presta serviço de assessoria e supervisão clínica ao  INCERE desde 2000. 

Os consultórios individuais não participam dos dispositivos clínicos e das  reuniões clínicas descritas acima e cada terapeuta conduz seus atendimentos com  supervisões individuais com um supervisor de sua escolha. 

O atendimento clínico do INCERE segue alguns posicionamentos básicos: Crianças com diagnóstico de transtornos graves têm subjetividade e  devem ser escutadas em sua singularidade. 

Devemos entender as dificuldades na construção da subjetividade  sem cair na ideia de classificação, reabilitação ou normalização da  vida. 

Nas mais diversas intervenções (fono, T.O. e psi), deve-se afastar  de concepções reabilitadoras com adaptação a padrões normativos. Embora o atendimento precoce seja necessário, deve-se ter cuidado  com a ideia de prevenção, enquanto veicula posições de ‘como deve  ser’. 

Todos os atendimentos são perpassados por um eixo comum que é  a psicanálise, nos quais a terapêutica se dá na conexão das 

diferentes práticas clínicas, de modo a não fragmentar o paciente e  seu tratamento em especialidades separadas.2 

2.1. Reuniões clínicas 

É nesse espaço que são discutidas e definidas todas as conduções clínicas  referentes aos casos acompanhados pela equipe. Todas as reuniões são registradas  e os registros anexados aos prontuários dos pacientes e grupos acompanhados.  Participam destas reuniões todos os membros da equipe além de todos os formandos  que fazem parte do PPI.3 

As reuniões têm três horas de duração e seguem uma sequência: iniciam  pela apresentação das entrevistas iniciais de algum caso que esteja em avaliação e  dão continuidade com a discussão dos casos já em acompanhamento com a equipe.  

As entrevistas iniciais que são realizadas por algum técnico, e que este  considere importante o acompanhamento do caso pela equipe, são levadas para a  reunião. O caso é apresentado pelo profissional e todos os presentes fazem  colocações e questionamentos. O encaminhamento do caso e as indicações  terapêuticas são pensados por toda a equipe, a partir do que foi proposto pelo  terapeuta que avaliou o paciente. Também é comum o paciente ser avaliado por mais  de um profissional, já que se trata de uma equipe. Nesse caso, os profissionais  apresentam juntos as respectivas entrevistas. Vale ressaltar que não há uma regra na  conduta de recebimento dos pacientes. Eles podem iniciar as entrevistas com  qualquer profissional da equipe, de acordo com a demanda de cada caso e de cada  família. Muitas vezes, as famílias chegam para a fonoaudiologia pelo atraso de  linguagem do filho, mas durante a avaliação percebe-se a necessidade de uma  avaliação psicológica. Em alguns casos é possível fazer o encaminhamento já nas  avaliações, mas em outros percebemos que esse encaminhamento precisa ser  construído com os pais durante a terapia com a fonoaudióloga até que seja efetivado.  

Cabe ressaltar aqui que a equipe não faz uso de um instrumento padrão de  anamnese nas avaliações e as entrevistas são marcadas pelos próprios terapeutas  

  

2 Todos os membros da equipe, inclusive a fonoaudióloga e a terapeuta ocupacional, estudam  psicanálise e fazem formação em psicanálise. 

3 PPI- Programa em Práticas Institucionais: Gestão e Clínica. Esse programa é oferecido pelo Incere  e tem duração de três anos. Nele os participantes (estudantes e/ou profissionais) realizam atividades  com a equipe, sob a supervisão desta, nas áreas de clínica, ensino e gestão. Após os três anos de  programa, eles podem ou não integrar a equipe.

que recebem a família. Inicialmente os pais são recebidos pelo terapeuta e só depois  são marcadas as sessões com a criança. O número de sessões com os pais e a  criança será definido de acordo com a demanda de cada caso. 

As entrevistas são conduzidas de forma que os pais possam se colocar, no  que diz respeito às dificuldades de seus filhos, e de como compreendem e lidam com  tais dificuldades. Um ponto de grande importância e imprescindível de ser considerado  nas entrevistas com os pais refere-se à gestação e aos cuidados maternos iniciais da  vida do bebê. Além disso, cada profissional, de acordo com a sua especialidade, foca  alguns aspectos que considere importante dentro da sua área de trabalho. 

2.2. Atendimentos em grupo 

Os atendimentos em grupo são compostos de crianças, adolescentes e  jovens adultos (dependendo da faixa etária do grupo), de uma dupla terapêutica, além  de um coterapeuta e um observador4. Os grupos acontecem em uma sala  diferenciada, com brinquedos e jogos específicos para aquele dispositivo. Eles  acontecem semanalmente e têm uma hora de duração com uma reunião pós-grupo  para a discussão do atendimento daquele dia e para a leitura do registro feito pelo  observador. 

Na maior parte dos grupos a dupla terapêutica é formada por terapeutas de  áreas diferentes, mas o foco do grupo é na constituição subjetiva dos pacientes, não  havendo um grupo com foco na atuação da fonoaudiologia ou da terapia ocupacional  de forma específica. O dispositivo do grupo se define dessa forma, como um  dispositivo psicanalítico. 

O trabalho em grupo realizado no INCERE tem como referência o trabalho  de grupo desenvolvido pelo CPPL (Centro de pesquisa em psicanálise e linguagem),  instituição clínica de Recife, que tem como foco “o espaço entre, espaço construído e  sustentado pelo agir em conjunto, pelo fazer compartilhado daqueles que compõem o  grupo: psicanalistas e crianças.” (Cavalcanti, 2006. P.135) 

  

4 O Coterapêuta e o Observador são estudantes ou profissionais que participam do PPI- Programa  em Práticas Institucionais: Gestão e Clínica. No grupo as funções do co-terapeuta e do observador  se distinguem pelo fato do primeiro participar das brincadeiras e das decisões do grupo, enquanto  o segundo está presente realizando o registro escrito da sessão, mas não fala nem participa das  atividades e decisões do grupo.

Cavalcanti (2006) nos mostra que o trabalho em grupo se constitui a partir  da referência psicanalítica a teoria de Winnicott, de onde se toma como ponto de  partida o fato de que  

o acontecer psíquico, ou o sentimento de existência do bebê, é o efeito de  

uma ação em parceria com um outro que se disponibiliza, por uma fina  

identificação, a acolher seu gesto espontâneo sem exigência, possibilitando  

a criação conjunta de algo inédito e singular. O cenário dessa ação conjunta  

é o espaço transicional, construído e sustentado pela superposição do brincar  

de seus atores. O indivíduo vai sendo, agindo/brincando junto com um outro  

num espaço (Cavalcanti, 2006, p.136). 

Winnicott (1975) nos descreve o espaço transicional como:  

uma área que não se encontra dentro do indivíduo, nem fora, no mundo da  

realidade compartilhada. Pode-se pensar nesse viver intermediário como  

ocupando um espaço potencial. Esse espaço potencial é extremamente  

variável de indivíduo para indivíduo e seu fundamento está na confiança que  a mãe inspira ao bebê, confiança experimentada por um período  

suficientemente longo, no estádio decisivo da separação entre o não-eu e o  eu, quando o estabelecimento de um eu (self) autônomo se encontra no  

estádio inicial (p. 152) 

Sua teoria parte da relação de confiança, ou não, entre uma mãe (ou quem  exerce a função materna) e seu bebê. Num primeiro momento de um estado de  fundição entre a mãe e seu bebê, ela identifica-se e adapta-se às necessidades de  seu filho, o que contribui para que ele se desenvolva em seu caráter e personalidade  a partir de uma relação de confiança. E é a partir dessa relação de confiança materna,  que ela poderá diminuir as adaptações às necessidades de seu bebê, permitindo que  o sentimento de confiança se estenda às outras pessoas e coisas, facilitando o  processo de separação entre ela e seu filho.  

Ao mesmo tempo, contudo, pode-se dizer que a separação é evitada pelo  preenchimento do espaço potencial com o brincar criativo, com o uso de  

símbolos e com tudo que acaba por se somar a uma vida cultural (Winnicott,  

1975, p.151). 

Em alguns casos, a relação de confiança pode não acontecer de forma  satisfatória entre o bebê e sua mãe, o que dificultará a separação mãe-bebê e a  construção de um espaço potencial que seja preenchido com o brincar criativo e com  experiências ricas de vida cultural.  

O espaço transicional criado no grupo permite aos participantes, a partir de  uma relação de confiabilidade naquele ambiente (setting de grupo), que inclui o  espaço físico protegido, os terapeutas, o co-terapeuta e observador e as outras  crianças, experimentarem situações múltiplas, a partir de reinvenções e recriações no  agir em conjunto e através do brincar. Essa ação conjunta interferirá na posição 

subjetiva e discursiva das crianças que fazem parte do grupo, de forma que, ao  preencherem o espaço potencial com o brincar criativo, se sintam mais seguras com  relação aos outros e a cultura. Isso faz com que se experimentem de forma mais  relaxada no que diz respeito à linguagem e ao social. Uma experiência assim foi  vivenciada, por exemplo, em um grupo em que uma criança com distrofia muscular e  que necessitava sempre da cadeira de rodas, experimentou ser um monstro que  rastejava pelo chão para pegar os outros.  

  1. MULTIDISCIPLINAR, INTERDISCIPLINAR OU TRANSDISCIPLINAR 

O INCERE em sua definição sempre se denomina interdisciplinar, mas há  alguns anos vêm se questionando se o termo interdisciplinar comporta o trabalho  realizado pela instituição. Tal fato se dá pela reflexão acerca da condução do trabalho  clínico realizado por cada um dos técnicos da equipe nos dispositivos de atendimento  individual e de grupo. 

Ao longo do tempo, cada técnico dentro da sua especificidade se via  atuando de forma diferenciada do que era sua área de atuação. Eram comuns as  discussões a respeito dos psicólogos e psicanalistas que faziam atendimentos  externos com seus pacientes, assim como da fonoaudióloga e da terapeuta  ocupacional que tinham que dar conta de questões transferenciais que só apareciam  no seu setting, mesmo que a criança estivesse em atendimento psicológico. Muitas  foram as discussões sobre os encaminhamentos a serem dados para cada uma  dessas questões: Se os atendimentos são externos isso é psicanálise? Enquanto  fonoaudióloga, como dar conta de outras demandas dos pacientes como limpar o cocô  e o xixi presentes em todas as sessões? Como pensar os atendimentos em grupo  conduzidos pela fonoaudióloga e terapeuta ocupacional, realizados na praia ou num  show de rock? 

A partir desses questionamentos, foi ficando claro para a equipe que as  fronteiras entre as disciplinas estavam esfumaçadas e o termo interdisciplinar teria  que ser repensado. 

Se partirmos dos conceitos de multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e  transdisciplinaridade apresentados por Japiassu no texto de Iribarry (2003), teremos  as seguintes definições:

MULTIDISCIPLINARIDADE: Uma gama de disciplinas propostas  simultaneamente, mas sem fazer aparecer diretamente as relações que podem existir  entre elas. É um tipo de sistema de um só nível e de objetivos múltiplos; não há  nenhuma cooperação entre as disciplinas (Japiassu, 1976). Pode-se pensar no  seguinte exemplo: em um hospital, vários profissionais estão reunidos, mas trabalham  isoladamente. O fato é que os profissionais, nesse caso, estão inseridos em um  esquema automático, o qual não gera espaço para uma articulação como em outras  modalidades da disciplinaridade (Iribarry, 2002). 

INTERDISCIPLINARIDADE: Um grupo de disciplinas conexas e  definidas em um nível hierárquico imediatamente superior, o que introduz a noção de  finalidade. É um tipo de sistema de dois níveis e de objetivos múltiplos com a  coordenação procedendo de nível superior (Japiassu, 1976). Pode-se pensar no  exemplo de uma equipe para atendimento ambulatorial de gestantes adolescentes de  baixa renda. A equipe é formada por um médico pediatra, um médico psiquiatra, um  psicólogo, um assistente social, uma psicopedagoga, uma enfermeira e uma  secretária. Todavia, o que prevalece é o saber médico, cabendo a coordenação e a tomada de decisão aos profissionais da área médica, que dirigem e orientam a equipe  em seu trabalho (Iribarry, 2002). 

TRANSDISCIPLINARIDADE: Na transdisciplinaridade, a descrição geral  envolve uma coordenação de todas as disciplinas e interdisciplinas em um sistema de  ensino inovado, sobre a base de uma axiomática geral. É um tipo de sistema de níveis  e objetivos múltiplos. A coordenação propõe uma finalidade comum dos sistemas  (Japiassu, 1976). A transdisciplinaridade, de acordo com Caon (1998), é um desafio  colocado pelo interesse de uma equipe de profissionais que estão reunidos pela  metáfora proposta por uma situação de transdisciplinaridade, na qual cada  pesquisador problematiza os conceitos de diferentes campos. Cada um entra na  disciplina do colega e olha pela luneta do outro pesquisador, interrogando os  dispositivos práticos e teóricos utilizados pelo pesquisador anfitrião e com os quais ele  vê aquilo que diz ver. Em transdisciplinaridade, os dispositivos utilizados para  equacionar o problema são mais importantes do que a solução do mesmo (Caon,  1998). Pode-se tomar como exemplo a equipe que recebe pacientes com problemas  mentais. Esta equipe, muito provavelmente, reunirá profissionais como psicólogos,  psiquiatras, enfermeiros, assistentes sociais, fonoaudiólogos, fisioterapeutas,  neurologistas, clínicos gerais, etc. Quando o paciente chega para uma avaliação todos 

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irão assisti-lo e buscarão formular um diagnóstico acerca do caso. Para que esse  diagnóstico seja dado em situação de transdisciplinaridade não basta apenas que  cada profissional opine a partir de sua área e, finalmente, um tratamento seja indicado.  Para que a configuração transdisciplinar seja alcançada é preciso que esses  profissionais, fundamentalmente, estejam reciprocamente situados em sua área de  origem e na área de cada um dos colegas (Iribarry, 2002). 

Passos e Barros (2000) acrescentam que tanto na multidisciplinaridade  como na interdisciplinaridade permanece a manutenção das fronteiras disciplinares,  dos objetos e sujeitos dos saberes, perdurando os especialismos. 

Mendes (2008) nos fala do equívoco de se manter a discussão sobre o  assunto focando o conceito de prática interdisciplinar ao simples evento de vários  profissionais estarem ao lado uns dos outros. Para a autora, tudo tem relação com a  incapacidade que temos para ir além dos nossos próprios princípios discursivos, as  fundamentações teóricas e os modos de funcionamento em que fomos formados e  educados. Pontua o caráter processual em que os profissionais devem buscar a  superação da fragmentação do saber e ressalta que o princípio da distinção se  caracteriza pela intensidade de troca entre diferentes profissionais e pelo grau de  integração real das disciplinas no interior de uma equipe. 

Iribarry (2003), ao falar do conceito de transdisciplinaridade, salienta que  este nível não se trata de um estilo de interação superior em relação aos demais  níveis. Trata-se, pura e simplesmente, de um nível a ser buscado pelos benefícios que  traz em sua gestão, mas que preserva as outras modalidades de níveis de  funcionamento. Estas modalidades são naturais e fazem parte do funcionamento de  qualquer grupo ou equipe que está reunido para desenvolver algum trabalho. Para o  autor, uma equipe será transdisciplinar quando sua reunião congregar diversas  especialidades com o espírito de cooperação, sem que uma coordenação se  estabeleça a partir de um lugar fixo. A transdisciplinaridade deve ser encarada como  meta a ser alcançada e não como algo pronto e um modelo aplicável. 

Passos e Barros (2000) discutem a respeito de como ficam as relações  entre as disciplinas no trabalho com a transdisciplinaridade. Cada disciplina deixa-se  afetar por outra, potencializando-se. Na transdisciplinaridade não se abandona o  movimento criador de cada disciplina, mas fabrica-se intercessores, agencia-se,  interfere-se. Para os autores, trata-se “nesta perspectiva transdisciplinar, de 

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nomadizar as fronteiras, torná-las instáveis. Caotizar os campos, desestabilizando-os  ao ponto de fazer deles planos de criação de outros objetossujeitos…” (p.77). 

  1. METODOLOGIA  

Para o desenvolvimento do presente artigo foram aplicados questionários  com todos os membros da equipe da instituição, inclusive comigo, mas o meu  questionário não foi incluído na tabulação e sim como hipótese teórica. 

Os questionários foram aplicados por mim numa reunião da equipe, e todos  os membros responderam ao mesmo tempo, antes de iniciar uma discussão sobre o  tema em questão: o INCERE é uma instituição que tem um trabalho multidisciplinar,  interdisciplinar ou transdisciplinar? As respostas eram individuais e por escrito. A única  instrução dada foi que os técnicos não falassem nada a respeito do assunto durante  a aplicação do questionário. 

O questionário foi composto de dez questões (anexo 1), sendo cinco  abertas e cinco fechadas. Além disso, as questões partem inicialmente dos conceitos  de multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade propostos por  Japiassu (1976), presentes no texto de Iribarry (2003). A escolha por Japiassu deve 

se ao fato do autor servir como referência básica para grande parte dos estudos e  artigos sobre o assunto realizados no Brasil. 

Além das questões abertas sobre como cada técnico define o INCERE,  incluímos questões sobre como cada um via a especificidade do trabalho da  fonoaudióloga e da terapeuta ocupacional. Optamos por não incluir os psicólogos e  psicanalistas nas questões, já que o objetivo da pesquisa era analisar a inserção de  outras áreas (Fonoaudiologia e Terapia ocupacional) dentro de uma instituição com  base psicanalítica.  

  1. RESULTADOS E DISCUSSÃO  

A partir da análise das respostas dos questionários optamos em apresentá la dividindo em três tópicos: A definição do trabalho do Incere; A atuação da terapeuta  ocupacional na instituição; e A atuação da fonoaudióloga na instituição. 

O primeiro tópico contempla as questões iniciais do questionário: “Como  você define o Incere?” e “Como você concebe o trabalho de equipe do Incere:  multidisciplinar, interdisciplinar ou transdisciplinar?”. O segundo e o terceiro tópico 

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abordam as demais questões do questionário sobre como a equipe concebe e  percebe a atuação da terapeuta ocupacional e da fonoaudióloga respectivamente, nos  atendimentos em grupo e nas reuniões clínicas. 

5.1. Definição do trabalho do Incere 

Ao definirem o que é o Incere, a maior parte da equipe acordou que se trata  de uma instituição clínica, composta por uma equipe interdisciplinar, preocupada com  o sofrimento psíquico, que atua também na produção e transmissão do saber clínico.  Uma pessoa disse se tratar de uma instituição psicanalítica e outra disse se tratar de  um trabalho clínico orientado pela psicanálise. Apenas dois membros da equipe  citaram a área da gestão. 

Questionados sobre o trabalho de equipe do Incere, quatro membros  concordaram com as definições de interdisciplinaridade, multidisciplinaridade e  transdisciplinaridade propostas por Japiassu e três não concordam com as definições,  alegando que sob seu ponto de vista não há a hierarquia de saberes na  interdisciplinaridade, como propõe o autor. 

Outro ponto levantado pela equipe diz respeito a relação entre as  disciplinas no espaço institucional. Para três membros o trabalho seria transdisciplinar,  enquanto que dois consideram o trabalho “entre” o inter e o transdisciplinar, já que  existe um atravessamento das especificidades de cada área. Outros dois membros  acreditam que o trabalho é ao mesmo tempo, inter e transdisciplinar, por se tratar de  um trabalho em que existe uma disciplina de conexão entre todas as outras, mas  também um saber compartilhado das especificidades. “Às vezes, o que é específico  de uma disciplina se dilui entre os diversos terapeutas”. Apenas uma pessoa pontua  que se trata de um trabalho interdisciplinar, mas alegando que o conceito de  interdisciplinar se difere do proposto. Para tal pessoa, interdisciplinaridade significa  “aquilo que faz interface, criando espaços do “ENTRE”, em que, por vezes, uma  intervenção não é uma coisa, nem outra. Mas sim, algo criado pela junção de  saberes”. 

O que podemos perceber na análise dos questionários e confirmar com a  prática clínica do dia a dia é que as fronteiras entre as disciplinas ficam esfumaçadas  nesse trabalho em equipe. Não há como não ser afetado pelo saber do outro, nem  como deixar de compartilhar o nosso saber. Dessa forma, acreditamos que o trabalho 

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clínico da equipe do Incere não se encaixa na definição de multidisciplinaridade por  não se tratar de um trabalho isolado de cada área. 

Fica claro também que a definição de interdisciplinaridade proposta por  Japiassu não se encaixa nas colocações dos membros da equipe, já que tal definição  propõe uma hierarquia e/ou coordenação de uma disciplina sobre as demais. 

O conceito de transdisciplinaridade parece ser o que mais se aproxima do  pensamento da equipe, já que a maior parte dos profissionais identifica o trabalho do  Incere como um trabalho transdisciplinar, no sentido em que cada profissional está  situado em sua área de origem, mas também na área de cada um dos colegas de  equipe, segundo nos coloca Iribarry (2002). Além disso, o que se produz enquanto  saberes e práticas clínicas são frutos desse espaço “entre” todas as disciplinas. Todos  os membros da equipe reconhecem a potencia criadora desses espaços fronteiriços  entre duas ou mais disciplinas e se deixam afetar por elas. 

Sobre o lugar ocupado pela psicanálise na instituição, é interessante  observar que apenas dois membros da equipe a citaram na definição da questão 1.  Mesmo assim ela se faz presente nas respostas das demais questões aparecendo  como uma disciplina que faz a conexão entre todas as outras, ampliando o olhar  clínico dos profissionais para além da sua especificidade. Para um membro da equipe  existe uma hierarquia, onde a psicanálise ocupa um lugar diferenciado dos outros  saberes no que diz respeito a compreensão de sujeito e suas formas de se constituir.  Outro profissional pontua que a psicanálise ocuparia um lugar de “coordenadora” das  demais disciplinas. 

A partir do que foi exposto acima podemos pensar que o trabalho em equipe  proposto pelo Incere não reconhece uma hierarquia de saberes, mas sim uma  conexão entre os saberes, que no caso é representada pela psicanálise, enquanto  saber que reconhece a subjetividade e a singularidade de cada pessoa. 

5.2. A atuação da Terapia Ocupacional na instituição 

Todos os membros situaram ser específico da atuação da terapeuta  ocupacional “por o sujeito em movimento”, “agir no mundo naquilo em que se encontra  impedido”, “utilizando a atividade como mediadora do trabalho”. Além disso,  relacionam o trabalho da T.O. com a noção de corporeidade, motricidade, 

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temporalidade, adaptação, AVDs (atividades da vida diária) e AVPs (atividades da  vida prática). 

Com relação a percepção da atuação específica da T.O. nas reuniões  clínicas apenas uma pessoa disse não perceber essa especificidade. Já sobre a  atuação nos atendimentos em grupo apenas quatro membros disseram perceber essa  especificidade.5 

5.3. A atuação da Fonoaudiologia na instituição 

Todos os membros colocaram ser específico da atuação da fonoaudiologia  o trabalho e o cuidado com questões que envolvem a linguagem, a fala, a articulação,  a voz, a mastigação e o aparelho fonador. Apenas um profissional identificou as  questões de leitura e escrita como específicas da fonoaudiologia. 

Todos os membros disseram perceber a atuação específica da  fonoaudióloga nas reuniões clínicas. Já na atuação dos atendimentos em grupo,  apenas uma pessoa disse reconhecer, em raras ocasiões, a atuação específica da  fonoaudiologia nesse dispositivo clínico. 

A partir das respostas acima descritas podemos inferir que elas reafirmam  as fronteiras esfumaçadas entre as disciplinas existentes na instituição e a grande  influência da psicanálise no trabalho clínico institucional e no percurso individual de  cada terapeuta, afetando seu olhar e ação terapêutica.  

Podemos pensar também que o dispositivo clínico grupal é um local onde  a “mistura” de saberes se dá de forma efetiva, já que nesse dispositivo a dupla  terapêutica tem que estar muito afinada com a mesma finalidade de sustentar um elo  de ligação entre os participantes a partir do brincar compartilhado. Não se trata então,  de se ter um olhar sobre cada especificidade, embora reconhecendo que ela aparece  quando se faz necessário. 

  

  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Ao longo do trabalho compreendemos que, na abordagem multidisciplinar,  a junção dos saberes é suficiente para dar conta, de forma totalizante e harmônica,  de cada caso clínico. Mas então podemos propor uma questão: Será que a crença de  que o trabalho em equipe nessa ótica, onde não se leva em conta os processos de  

  

5 O questionário respondido pela T.O. não entrou nos dados acima descritos.

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hierarquização de saberes, não faz com que haja um fechamento de cada saber em  si mesmo?  

Pensamos então no conceito de interdisciplinaridade, bastante difundido  nos dias atuais. Nos parece claro que a maior parte das equipes na área da saúde  atuam dentro dessa abordagem, onde principalmente o saber médico prevalece diante  dos outros. Entendemos que, dentro dessa ótica, só os saberes de uns são  questionados e os de outros não. O que também acaba por contribuir em um  fechamento de cada disciplina. Quando vemos um movimento de procura cada vez  maior, por parte dos profissionais, em se tornarem especialistas, nos perguntamos se  não é demonstrativo de um saber cada vez mais fechado em si mesmo. Será que ao  nos especializarmos tanto, não estamos submetendo nossos pacientes a um  tratamento fragmentado? Até que ponto isso contribui para um trabalho em equipe,  onde temos um paciente único a atender? 

Na realidade, será que os profissionais que se dizem integrantes de uma  equipe interdisciplinar, renunciaram a sua formação multidisciplinar prévia e abriram  mão de seu narcisismo em função de um reconhecimento da necessidade do saber  do outro? 

Diante do reconhecimento de que um saber necessita de outros saberes,  conclui-se que o processo que ocorre dentro da abordagem transdisciplinar deve ser  de abertura para o novo e não de um fechamento em si mesmo. Mas isso requer, por  parte do profissional, o reconhecimento de um saber não totalizante. E implica estar  sempre disposto a questionar o que está posto e aberto às novas possibilidades diante  da clínica que se apresenta.  

Acredito que experiências clínicas como esta são de grande valia para a  fonoaudiologia institucional, já que a atuação fonoaudiológica ainda se mostra muito  focada em sua especificidade. Proponho uma questão: Será que a fonoaudiologia se  deixa afetar por saberes outros, que não aqueles que a colocam num lugar seguro e  identitário?  

Concluímos que a experiência clínica do Incere nos coloca em um lugar de  construção constante do fazer clínico em parceria com outros saberes e que a  estabilidade de cada saber é posta em questão. Entendemos que numa clínica como  esta os saberes são construídos a cada dia, não na unidade de cada saber, mas no  que existe no espaço entre eles. 

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Somos afetados em nossas identidades e especificidades e levados a  conviver com a instabilidade e movimento constante que esta clínica nos impõe,  aprendendo a tirar proveito dessa experiência e nos enriquecermos como pessoas e  terapeutas. 

  

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

CAVALCANTI, A. E. Ser brincando: sobre a psicanálise em grupo com crianças. In:  ROCHA, P.S. (Org.) Cata-ventos. Invenções na clínica psicanalítica institucional. São Paulo: Editora Escuta, 2006.  

IRIBARRY, I. N. Aproximações sobre a transdisciplinaridade: Algumas Linhas  Históricas, Fundamentos e Princípios Aplicados ao Trabalho de Equipe. In: Revista  Psicologia Reflexão e Crítica, 2003, Vol. 16 (3)pp. 483-490. Rio Grande do Sul. 

JAPIASSU, H. Interdisciplinaridade e patologia do saber. Rio de Janeiro: Imago,  1976. 

MENDES, J.M.R. et al. Saúde e interdisciplinaridade. In: Revista Ciência e Saúde,  Porto Alegre, v. 1, n. 1, p.24-32, jan./jun. 2008. 

PASSOS, E.; BARROS, R. A construção do plano da clínica e o conceito de  transdisciplinaridade. In: Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 16, n. 1, p.71-79,  2000. Disponível em  http://www.slab.uff.br/exibetexto2.php?link=.%2Ftextos%2Ftexto1.htm&codtexto=1& 

cod=1&nome_autor=Eduardo%20Passos&tp=. 

PINHO, G. S. A Psicanálise e a clínica interdisciplinar com crianças. In: Caderno da  APPOA, Porto Alegre, n. 120, dez. 2003. 

PINTO, J. C. S. G. Integralidade, Clínica Ampliada e Transdisciplinaridade:  conceitos para a potencialização das práticas em saúde mental. Dissertação de  mestrado em Psicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal Fluminense. Niteroi, 2007. 

WINNICOTT, D. W. O Brincar e a Realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.

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ANEXOS 

QUESTIONÁRIO PARA ARTIGO DE ESPECIALIZAÇÃO EM LINGUAGEM 

  1. QUAL A SUA PROFISSÃO? 

___________________________________________ 

  1. COMO VOCÊ DEFINE O INCERE? 

____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ _________ 

  1. DE ACORDO COM IRIBARRY (2003) DEFINE-SE : 

MULTIDISCIPLINARIDADE COMO: Uma gama de disciplinas propostas  simultaneamente, mas sem fazer aparecer diretamente as relações que podem existir  entre elas. É um tipo de sistema de um só nível e de objetivos múltiplos; não há  nenhuma cooperação entre as disciplinas (Japiassu, 1976). Pode-se pensar no  seguinte exemplo: em um hospital, vários profissionais estão reunidos, mas trabalham  isoladamente. O fato é que os profissionais, nesse caso, estão inseridos em um  esquema automático, o qual não gera espaço para uma articulação como em outras  modalidades da disciplinaridade (Iribarry, 2002). 

INTERDISCIPLINARIDADE COMO: Um grupo de disciplinas conexas e definidas em  um nível hierárquico imediatamente superior, o que introduz a noção de finalidade. É  um tipo de sistema de dois níveis e de objetivos múltiplos com a coordenação  procedendo de nível superior (Japiassu, 1976). Pode-se pensar no exemplo de uma  equipe para atendimento ambulatorial de gestantes adolescentes de baixa renda. A  equipe é formada por um médico pediatra, um médico psiquiatra, um psicólogo, um  assistente social, uma psicopedagoga, uma enfermeira e uma secretária. Todavia, o  que prevalece é o saber médico, cabendo a coordenação e a tomada de decisão aos  profissionais da área médica, que dirigem e orientam a equipe em seu  trabalho(Iribarry, 2002). 

TRANSDISCIPLINARIDADE COMO: Na transdisciplinaridade, a descrição geral  envolve uma coordenação de todas as disciplinas e interdisciplinas em um sistema de  ensino inovado, sobre a base de uma axiomática geral. É um tipo de sistema de níveis  e objetivos múltiplos. A coordenação propõe uma finalidade comum dos sistemas  (Japiassu, 1976). A transdisciplinaridade, de acordo com Caon (1998), é um desafio  colocado pelo interesse de uma equipe de profissionais que estão reunidos pela  metáfora proposta por uma situação de transdisciplinaridade, na qual cada  pesquisador problematiza os conceitos de diferentes campos. Cada um entra na  disciplina do colega e olha pela luneta do outro pesquisador, interrogando os  dispositivos práticos e teóricos utilizados pelo pesquisador anfitrião e com os quais 

ele vê aquilo que diz ver. Em transdisciplinaridade, os dispositivos utilizados para  equacionar o problema são mais importantes do que a solução do mesmo (Caon,  1998). Pode-se tomar como exemplo a equipe que recebe pacientes com problemas  mentais. Esta equipe, muito provavelmente, reunirá profissionais como psicólogos,  psiquiatras, enfermeiros, assistentes sociais, fonaudiólogos, fisioterapeutas, 

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neurologistas, clínicos gerais, etc. Quando o paciente chega para uma avaliação todos  irão assisti-lo e buscarão formular um diagnóstico acerca do caso. Para que esse diagnóstico seja dado em situação de transdisciplinaridade não basta apenas  que cada profissional opine a partir de sua área e, finalmente, um tratamento seja indicado. Para que a configuração transdisciplinar seja alcançada é preciso que esses  profissionais, fundamentalmente, estejam reciprocamente situados em sua área de  origem e na área de cada um dos colegas (Iribarry, 2002). 

VOCÊ CONCORDA COM TAIS DEFINIÇÕES? 

SIM ( ) NÃO ( ) 

  1. SE SIM, COMO VC CONCEBE O TRABALHO EM EQUIPE DO INCERE:  MULTIDISCIPLINAR, INTERDISCIPLINAR , TRANSDISCIPLINAR ? SE NÃO,  QUAL A SUA DEFINIÇÃO PARA O TRABALHO EM EQUIPE DO INCERE?  EXPLIQUE. 

____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ _______________ 

  1. O QUE VOCÊ CONSIDERA SER ESPECÍFICO DA ATUAÇÃO DA  FONOAUDIOLOGIA? 

____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ _________ 

  1. O QUE VOCÊ CONSIDERA SER ESPECÍFICO DA ATUAÇÃO DA TERAPIA  OCUPACIONAL?  

____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ _________ 

  1. É POSSÍVEL VER A ESPECIFICIDADE DA ATUAÇÃO DA FONOAUDIOLOGIA  NO INCERE NOS ATENDIMENTOS EM GRUPO? 

SIM ( ) NÃO ( )  

  1. É POSSÍVEL VER A ESPECIFICIDADE DA ATUAÇÃO DA FONOAUDIOLOGIA  NO INCERE NAS REUNIÕES CLÍNICAS? 

SIM ( ) NÃO ( )  

  1. É POSSÍVEL VER A ESPECIFICIDADE DA ATUAÇÃO DA TERAPIA  OCUPACIONAL NO INCERE NOS ATENDIMENTOS EM GRUPO? SIM ( ) NÃO ( )  
  2. É POSSÍVEL VER A ESPECIFICIDADE NA ATUAÇÃO DA TERAPIA  OCUPACIONAL NO INCERE NAS REUNIÕES CLÍNICAS? 

SIM ( ) NÃO ( )  

Fortaleza, ______ de ________________ __ de 2013.

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